Hoje debruço-me sobre o meu próprio nome, que adoro!
A combinação Ana Filipa foi registada 32 vezes em 2013. Coisa pouca, se tivermos em conta que Ana foi o 7.º nome mais usado em meninas em 2013 e que Filipa foi o 43.º; menos ainda se pensarmos que Filipa foi o 3.º segundo nome mais usado, estando presente em 1238 combinações! Possivelmente, o cenário seria outro na década de 80, quando eu nasci...
Sempre tive uma relação ambígua com o meu nome completo que, registe-se, tem 5 palavras e 28 letras. Durante a minha infância, nunca me chamavam pelo primeiro nome, tanto que alguns dos meus primos desconheciam a sua existência. Eu era sempre chamada pelo meu segundo nome - ou melhor, pelo diminutivo ou hipocorístico. E a vida corria-me bem. Até que fiz cinco anos.
- A percepção errada do meu próprio nome
Creio que já o contei aqui: quando entrei para a escola primária, achava que o meu nome era uma invenção dos meus pais, porque na minha turma havia alguns meninos com a versão masculina do nome, mas nenhuma menina. Invenção ou cópia de invenção, porque havia uma senhora na TV que também tinha o mesmo nome. Fosse como fosse, não me agradava particularmente.
O começo da escola primária também correspondeu ao momento em que comecei a ser associada ao meu último nome - e se eu não gostava do meu nome próprio, não haveria quem me fizesse gostar do meu apelido e foi nessa altura que desenvolvi uma espécie de rejeição às minhas 28 letrinhas.
Eu só queria ser Joana, Tânia, Liliana ou Mariana, um desses nomes que eu sabia que eram de menina - havia tantas à minha volta! E queria um apelido simples, curto, que eu não fosse obrigada a soletrar três vezes por dia, porque ninguém o sabia escrever. Claro que não partilhava com ninguém estas inquietações - já então eu sabia que gostar de nomes/fixar nomes/analisar nomes não era uma coisa muito valorizada.
Quando passei para o quinto ano, mudei de escola e foi nessa altura que tudo se alterou. Em cada turma havia pelo menos uma menina com o nome igual ao meu. Não igual, igual, o primeiro nome costumava ser diferente, mas afinal eu não andava sozinha pelo mundo. Nem eu, nem a tal senhora da TV, nem uma rainha que entretanto eu descobrira e que já era a minha rainha preferida de todos os tempos.
Este sentimento de pertença deve ter durado uns belos dois dias. Porque logo de seguida, desenvolvi um feroz sentimento de posse. Se antes eu era a única com aquele nome, depois eu era apenas uma entre muitas. E isso implicava ser chamada por nome+apelido. Aterrorizante.
- A valorização do primeiro nome
Já no secundário, foi a vez do meu primeiro nome ganhar destaque. Não só um, mas dois professores preferiam chamar-me pelas três letrinhas apenas. E pela primeira vez na vida, até fazia sentido, mesmo quando tinham de chamar três ou quatro vezes até que eu percebesse que estavam a falar comigo.
Tal como fez sentido que, anos mais tarde, durante o meu estágio profissional, todos me chamassem Ana.
- A versão pindérica do diminutivo do meu nome, que acabou por pegar
Na universidade, o meu segundo nome foi transformado pelas minhas amigas num hipocorístico copiado das revistas cor-de-rosa, que pouco me agradava mas que servia para me diferenciar de outra grande amiga com o mesmo nome. E uma distracção deu origem a uma nova versão do meu apelido e desde então, respondo orgulhosamente às minhas amigas com um nome totalmente diferente do meu nome verdadeiro.
Hoje em dia, adoro o meu nome. O significado faz-me sorrir (a que gosta de cavalos), a percepção que dele existe nos outros países deixa-me um pouco desanimada, mas eu não o trocaria por nada. E é muito raro recomendá-lo, porque gosto dele só para mim.
O meu nome é Ana Filipa.